Um homem Não Consegue Recusar Uma Mulher
Enviado em 27 de Fevereiro de 2007
Publicado por Andréa Alves | Enviar por e-mail
| Hits para esta publicação: 640

“Quanta mulher não comeu o homem que quis, apenas porque ele não podia recusar uma mulher? Uma mulher se tranca com um homem num quarto e diz que ele vai comer ela. Ele tem que comer, a não ser que ela seja o Corcunda de Nôtre Dame. Até mesmo recusar uma mulher obedece a normas, porque é estabelecido o direito de ela se ofender, se a recusa for feita fora das normas. Por exemplo, ‘você é feia, e eu não vou lhe comer’, não se diz uma coisa dessas a uma mulher. (…) Já a mulher pode recusar perfeitamente e mesmo nos piores termos possíveis –‘você nunca, tá?’.”
(Trecho do livro “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro)
Eis uma verdade que sempre pretendi abordar por aqui, mas invariavelmente me faltavam as palavras. Nada como buscar auxílio com um mestre da sacanagem baiana.
O livro citado –e que ganhou monólogo brilhantemente defendido por Fernanda Torres- é a transcrição de um relato da vida de uma mulher de 68 anos. Se ela existe ou não, pouco importa. Suas observações e devaneios nos atingem de qualquer maneira -como o parágrafo que abre este texto.
Pensei nele porque dia desses o Gaudêncio, um amigo gaúcho da melhor cepa, me contou uma história terrível.
O sujeito é forte, moreno, alto, formado em cinema em Londres e sempre masca um chiclete para deixar o hálito em dia. Dessa maneira, nunca teve problemas com mulheres. Até se enroscar com a Laurinha.
“Laurinha é feia. Tem lá seu valor, sua astúcia e educação, mas é realmente um dragãozinho”, disse o Gaudêncio. “Mesmo assim, terei que fazer amor com ela”, completou o sulista.
Sem entender muito bem, pedi mais uma dose e implorei pelo relato completo. Ele me contou tudo de uma vez, feito aqueles narradores de jogos do Timão.
Disse Gaudêncio que numa dessas imprudências da vida –leia-se: bebida-, ele acabou oferecendo uns beijinhos para a Laurinha. Coisa pouca e boba. Na seqüência, também devido a certa paixão –álcool em excesso-, foram para a casa da pequena. Lá, envolvidos em amor –completamente embriagados-, partiram para as primeiras carícias.
Foi então que Gaudêncio estancou, puxou o freio de mão, sacou a real da parada –ficou sóbrio. Ele jamais poderia fazer aquilo com a Laurinha. Não rolava. Gaudêncio tinha berço, princípios e não era cego. Com a Laurinha não!
Ele culpou a bebida, pegou sua carteira, a cueca que já se instalara num canto, e se mandou. Mas prometeu um novo encontro.
Laurinha não se conformou. E acredita na personagem de João Ubaldo. Para ela, quando uma mulher quer um homem, não tem jeito.
Gaudêncio não sabe mais o que fazer. Inventa desculpas, ressalvas, problemas intestinais, operações arriscadas e avós que morrem como moscas. Mas Laurinha não se importa. Quer e pronto.
“Vou fazer o quê? Falar que não posso porque ela… Ela… Ela é feia? Nunca. Jamais pronunciaria isso para uma mulher. Seria pior. Aí que acabaria com minha existência”, chorou o gaúcho.
Contei para ele do livro do Ubaldo. Não apenas leu como resolveu comer de uma vez por todas a Laurinha. Comprou flores e até reservou mesa em restaurante chique.
Eu sinceramente acho que vi um brilhinho de paixão em seus olhos. Quando contei pra ele sobre minha desconfiança, deu um sorriso e cravou: “Essas mulheres…”.
Aí está. Na guerra dos sexos, os machos perderam essa batalha. As mulheres podem nos rejeitar de todas as formas e jeitos –com crueldade e risinhos. Mas, se elas nos quiserem, os homens têm que manter a postura, a armadura, e enfrentar as arapucas de uma cama.
Essas mulheres…
by Macho Pero No Mucho
(23/01/2007)