Outubro de 2007


Me Witch

negão

NEGÃO *in memorian*07/10/2007

Sentiremos saudades “Cabeção”… Me, Mommy, Sadhan e Hayka Maria

Depois de muito choro parei para pensar… e se fosse Hayka Maria??? Ai meu Deus…

웃 T s u n a m i 웃

fx preta

GRACIE Magazine listou cem coisas que você deve fazer até chegar à faixa-preta (e outras 20 que você não deve fazer). Se você já é um faixa-preta, a lista vale como uma revisão de sua carreira e até como um estímulo para você criar o seu próprio plano de metas até a faixa coral.

CONFIRA:

1 » Gostar de Jiu-Jitsu.

2 » Amar o Jiu-Jitsu.

3 » Respeitar o Jiu-Jitsu.

4 » Aprender a dosar força e técnica, de modo que você lute durante o máximo de tempo sem cansar.

5 » Entender que a faixa não é o único objetivo, mas uma conseqüência do esforço e aprendizado. A pessoa que tem como meta apenas pegar a nova faixa limita o próprio potencial, que é sempre algo enorme e desconhecido. Em vez de se concentrar nisso, preocupe-se em desenvolver aspectos técnicos da luta.

6 » Saber o programa de aulas básico de cor e salteado.

7 » Estudar a fundo as técnicas de defesa pessoal. Ou você pretende ser um faixa-preta que se ­desespera para sair de uma grava qualquer?

8 » Fazer um treino duro com o próprio mestre.

9 » Fazer vários amigos de fé na academia.

10 » Disputar um campeonato e voltar com a medalha de ouro para casa.

11 » Disputar uma categoria absoluto.

12 » Perceber que no fundo, no fundo, pontos e cronômetro não existem, enquanto não há nada mais real que os três tapinhas.

13 » Participar de um seminário ministrado pelo seu grande ídolo.

14 » Aprender a falar inglês. Do jeito que o ­mercado do Jiu-Jitsu está efervescente, você vai ter que se comunicar em outros continentes.

15 » Aplicar um armlock voador à vera durante uma luta. Ou pelo menos tentar.

16 » Lutar um Mundial.

17 » Inventar algum golpe – seja por acaso, ­intuição ou plena consciência.

18 » Dar um nome bem original ao golpe criado, como por exemplo “borboleta voadora”, “pega-bobo”, “gogoplata” ou “bola de fogo”.

19 » Experimentar as mais variadas dietas até descobrir duas ou três que realmente funcionam para estimular o seu corpo, antes, durante e depois das competições.

20 » Fazer ao menos um ano de judô – caso o treino intenso de quedas não seja um costume de sua academia.

21 » Aprender a perder.

22 » Aprender a vencer.

23 » Encontrar a marca de kimono cuja modelagem se ajuste melhor ao seu corpo.

24 » Afiar o surfe, pois você ainda vai participar do Campeonato Black Belt de Surfe.

25 » Se o surfe não for a sua praia, desenvolver outra atividade ao ar livre, para se energizar nos dias fora da academia.

26 » Aprender a ensinar. O que inclui saber conduzir uma aula completa, planejar o aquecimento específico para o treino do dia, casar os treinos com coerência, saber deixar o aluno novamente calmo ao fim do treino para ir para casa, entre outros pontos. “Na marrom, o atleta promissor pode dar uma aula com o faixa-preta do lado, como um estágio, um ­teste”, sugere o professor Raphael Abi-Rihan.

27 » Ler o manual de regras do Jiu-Jitsu da IBJJF.

28 » Próximo à faixa-preta, participar de treinos simulados de vale-tudo, conhecidos popularmente como treinos de bloqueio e taparia. Situações reais de luta são extremamente importantes para afiar sua defesa pessoal, saber o tempo de entrada de queda e lapidar outros aspectos.

29 » Esquecer as bombas.

30 » Tentar fazer aulas particulares – vitais para dar um refino técnico e aprender macetes com seu professor.

31 » Oferecer-se de ­sparring para seu mestre, especialmente em aulas particulares, em que você também vai aprender muito.

32 » Montar sua bibliografia básica sobre artes marciais. Quanto mais livros, melhor.

33 » Lutar, com todas as forças, para aquele apelido que botaram em você não pegar.

34 » Aceitar o apelido, se pegar.

35 » Emplacar um bom apelido em algum parceiro.

36 » Incentivar uma criança a começar no Jiu-Jitsu. Afinal, elas são o futuro do esporte.

37 » Adquirir autocontrole.

38 » Usar suas habilidades técnicas e seu gás para sair de alguma enrascada. Aventuras fazem parte da história de qualquer grande faixa-preta.

39 » Não deixar o seu bom Jiu-Jitsu subir à cabeça – mantenha os pés no chão.

40 » Saber reagir. Não existe uma cartilha exata sobre como você deve proceder em cada situação, mas o professor Carlos Gracie Jr. costuma ensinar uma lição clássica. Quando alguém estiver o incomodando, no cinema, no avião em qualquer lugar, pense antes de agir: e se essa pessoa fosse o Ricardo Arona ou o Wanderlei Silva, você faria o quê? Ou seja, há horas que você decididamente tem de interceder, ou mesmo ir lá falar com o chato. Mas faça sempre com educação – sem covardia. Seja a pessoa uma velhinha, um grupo de adolescentes, o Arona ou o Wanderlei Silva…

41 » Não deixar nunca de treinar o básico, bem como a defesa dos golpes.

42 » Ter um fisioterapeuta camarada, que depois de tantas consultas já faz aquele desconto quando surge uma nova lesãozinha…

43 » Ter a sua receita favorita de açaí.

44 » Descobrir a sua melhor hora de treinar, e entender se o seu corpo responde melhor aos treinos duros à noite, à tarde, ou de manhã cedo.

45 » Enviar um e-mail elogiando a GRACIE Magazine.

46 » Enviar um e-mail esculhambando a GRACIE Magazine – ou sugerindo novas pautas.

47 » Estudar o básico da história do seu esporte, e saber quem foram e o que fizeram os pioneiros do Jiu-Jitsu.

48 » Todo faixa-branca já viu mais de 48 vezes, então não é você que vai deixar de rever: assistir, volta e meia, às primeiras lutas de Royce no UFC, as de Rickson no Japão ou a batalha entre Minotauro e Bob Sapp. Afinal, fazem parte da saga do Jiu-Jitsu.

49 » Após tantos anos de torções, descobrir o golpe para o qual você não bate de jeito algum – uma chave de pé, uma guilhotina…

50 » Ser flexível; descubra seu programa de alongamento favorito.

51 » Equiparar seu jogo por baixo ao seu modo de lutar por cima – ou pelo menos chegar bem perto disso.

52 » Medir forças com atletas de outras modalidades, como wrestlers em torneios de submission, amigos judocas e por aí vai.

53 » Conversar muito com os mais graduados e velhos mestres.

54 » Raspar o cabelo, nem que seja uma só vez.

55 » Registrar em fotos o auge de sua forma física. Além de servir como acompanhamento, isso vai motivar a não deixar o shape cair, mesmo com o passar dos anos – e das faixas. E você ainda terá uma bela fotografia para um dia tirar onda com os filhos e netos…

56 » Fazer uma viagem inesquecível para lutar ou treinar Jiu-Jitsu com a equipe.

57 » Representar bem e divulgar a bandeira do nosso Jiu-Jitsu no exterior.

58 » Uma vez em San Diego, na Califa, dar um pulinho na Universidade do Jiu-Jitsu. O telefone: (419) 283-7310.

59 » Acostumar-se ao desconforto. Afinal, como dizia Wallid Ismail, “é tempo ruim o tempo todo”.

60 » Se dar mal com as mulheres por causa da sua orelha.

61 » Se dar bem com as mulheres por causa da sua orelha.

62 » Ter tido no mínimo 17 kimonos até pegar a preta. Se não, você não gastou pano o bastante…

63 » Doar seus kimonos velhos para projetos sociais e alunos carentes.

64 » Entender a dinâmica do seu corpo, afinal cada biótipo se adapta de um jeito diferente ao Jiu-Jitsu. O seu jogo deve estar em sintonia com o tipo de corpo que você tem.

65 » Respeitar os faixas-brancas. E azuis, roxas…

66 » Desenvolver sua flexibilidade mental – em qualquer campeonato no mundo, é comum você competir mais tarde ou mais cedo do que o esperado, mudar de área de luta pouco antes do combate… “Nesses casos, relaxe e aceite. A ausência de um pensamento rígido permite que você tire o melhor de cada experiência e evolua”, ensina nosso colunista Martin Rooney.

67 » Absorver qualquer nova técnica que lhe é ensinada, mesmo que não se torne sua especialidade. Certamente pode ser a de algum oponente…

68 » Pelo menos uma vez na vida, decidir competir em algum torneio em cima da hora. Lembre que não existe uma fase “perfeita” para lutar, vá e lute – e quem sabe será a hora perfeita.

69 » Bater, bater e bater, várias vezes. E, quem sabe, até dormir num golpe. Faz parte, tudo é aprendizado até a condecoração máxima.

70 » Fazer uma luta (ou vá lá, no mínimo um treino) sem tempo ou pontos, até pegar.

71 » No caso de ter a chance e amigos em outras academias, visitar novos ambientes. “Gostaria de ter ido treinar mais como outros atletas, para testar o meu Jiu-Jitsu sem a pressão dos campeonatos. Sinto falta por não ter treinado com o Amaury, Libório, Roleta, Cachorrão e Pé de Pano”, revela o hexacampeão mundial Saulo Ribeiro.

72 » Ser o herói de alguém – nem que seja do seu irmão mais novo.

73 » Explicar mais de uma vez, a diversos amigos, a filosofia do Jiu-Jitsu, e não perder a paciência quando ouvir, “Mas lutador não é tudo meio burro, não?”

74 » Ser convidado para ajudar na segurança daquela festa de amigos. Nem que seja para recusar elegantemente, apesar de sentir-se orgulhoso por dentro.

75 » Ter um Gracie favorito.

76 » Dar uma moral, do jeito que você puder, a algum projeto social tocado por um faixa-preta parceiro seu.

77 » Ter o Jiu-Jitsu como estilo de vida e aproveitá-lo ao máximo. Para isso, deve-se entender que a arte não se resume a uma modalidade esportiva.

78 » Descobrir o que é persistência na própria pele – afinal, é quase certo que você vai ficar um tempo parado por conta de uma lesão. Mesmo ­assim, não esmoreça.

79 » Saber que a GRACIE Magazine é a melhor revista sobre Jiu-Jitsu no mundo, e sempre pedir para o jornaleiro amigo separar seu exemplar.

80 » Não se espantar com expressões curiosas como “nó de porco”, “creonte”, “calçar a bota”, “amassa-pão”…

81 » Soltar volta e meia um “bicho” no final da­ ­frase, e saber que isso nunca saiu de moda.

82 » Descobrir o que te motiva antes de um ­treino e o que serve como alívio após um dia ruim na ­academia – seja uma música, uma leitura ou algum ­pensamento positivo.

83 » Desenvolver um estilo próprio como lutador.

84 » Desenvolver um estilo próprio como professor.

85 » Entender que cada “façanha” ou briga na rua não acrescenta nada a um praticante, e sim representa um passo atrás na sua busca pelo reconhecimento no Jiu-Jitsu. Como afirma Saulo, “Eu nunca daria uma faixa-preta a uma pessoa sem escrúpulos, ou melhor, essa pessoa nem treinaria comigo porque não seria capaz de abrir minha alma para ensiná-lo.”

86 » Encontrar um meio de tirar prazer das grandes e pequenas coisas no Jiu-Jitsu, desde o aquecimento até os dias ruins na academia e as derrotas.

87 » Aprender noções de primeiros socorros.

88 » Aprender a lidar com o medo, a insegurança e a ansiedade que todos temos, uns mais, outros menos. Por isso a competição é um dos melhores ambientes para se autoconhecer, não só como atleta.

89 » Entender sua responsabilidade como atleta graduado. “Se o cara pretende ser professor a responsabilidade é ainda maior, já que deve ser o exemplo para os que serão seu espelho. O Jiu-Jitsu não tem apenas a função de criar bons lutadores, mas homens capazes, dignos e honrados de levar a bandeira do Jiu-Jitsu adiante. Essa é a maior responsabilidade do faixa-preta”, ensina Robert Drysdale, professor da Brasa.

90 » Refletir sobre os erros.

91 » Depois de crescer com os erros, tirá-lo dos ombros.

92 » Enxergar a faixa-preta como um começo, não como o fim do caminho. “Aprimorei muito meu jogo depois que cheguei na preta”, lembra o astro da Alliance Marcelinho Garcia.

93 » Pelo menos a partir da faixa-marrom, competir sem kimono. O grappling tende a se desenvolver como modalidade, e você não vai querer ficar fora.

94 » Inovar nos exercícios. Não passe o resto da vida fazendo polichinelos.

95 » Enxergar o mais rápido possível que a academia não é lugar de competir, e sim de treinar e tentar posições. “Só batendo e exercitando suas deficiências você vai se tornar um lutador completo. Esse negócio de ‘ganhar treino’ é bobagem e limita o jogo e o aprendizado”, lembra Saulo.

96 » Experimentar técnicas de respiração, ginástica natural e yoga, para auxiliar seu desempenho como atleta. Apesar de vistas com desconfiança antigamente, hoje tais recursos estão largamente consagrados por grandes lutadores. Rickson, por exemplo.

97 » Preparar seu discurso antes da cerimônia de recebimento da faixa.

98 » Criar a sua própria lista com 50, cem ou 200 metas que você VAI cumprir até a faixa-preta.

99 » Aplicar a principal lei do Jiu-Jitsu à própria vida: enfrentar os desafios da maneira mais simples possível, pois certamente este será o modo mais eficiente.

100 » Largar a revista e ir treinar.

OS 20 MANDAMENTOS ATÉ A FAIXA-PRETA

1 » Não amarrarás.

2 » Não afrouxarás.

3 » Não matarás treino por motivos bobos.

4 » Não farás uso em excesso de álcool.

5 » Não farás uso em excesso do bate-estaca.

6 » Não usarás kimonos mal-cheirosos nem esquecerás do asseio.

7 » Não reclamarás da arbitragem – concentre em finalizar.

8 » Não creontarás – respeite seu mestre e sua academia.

9 » Não acatarás ordens que vão contra seus valores morais.

10 » Não serás grosso durante os treinos.

11 » Não farás da sua orelha estourada um troféu.

12 » Não sucumbirás aos biscoitos de chocolate, brigadeiros e afins.

13 » Não ficarás se exibindo – seja discreto, afinal, quanto mais exposto mais fácil é o alvo.

14 » Não falarás demais na academia nem causarás intriga entre os parceiros de treino.

15 » Não farás covardia.

16 » Não levarás a sério nenhum filme do Steven Seagal.

17 » Não contarás vantagem.

18 » Não tardarás a soltar o golpe quando o adversário bater.

19 » Não descontarás o estresse do dia-a-dia nos parceiros de treino.

20 » Não roubarás as Havaianas do colega de treinos.

(Gracie Magazine)

*Com a colaboração de: Alexandre Paiva, Alexandre Ribeiro, Amaury Bitetti, André Galvão, Fabio Gurgel, Helio Gracie, Hermes França, João Alberto Barreto, José Mario Sperry, Leonardo Santos, Leonardo Vieira, Marcelo Garcia, Martin Rooney, Raphael Abi-Rihan, Relson Gracie, Renzo Gracie, Ricardo Libório, Rickson Gracie, Robert Drysdale, Roberto Gordo, Rodrigo Comprido, Rodrigo Medeiros, Roger Gracie, Ronaldo Jacaré, Royler Gracie, Saulo Ribeiro, Sylvio Behring, Thales Leites, Vinicius Draculino, Vítor Shaolin, Wallid Ismail.

bunda

Os encantos que a bunda tem… os desejos que provoca… os cuidados que precisa.

A bunda é assim, cheia de mistérios e mimos, dizem ser a paixão nacional dos brasileiros, mas só quem tem uma bela bunda sabe as alegrias e tristezas que ela pode dar.

Alegrias e tristezas, como assim? Neste instante você deve pensar que enlouqueci, mas não, é essa a realidade.

Sinto-me tranqüila em abordar esse tema, já que possuo uma bunda alvo de comentários, a grande maioria na verdade, elogios criativos e deliciosos, que me dão uma grande alegria.

Mas ter uma bunda digna desses comentários não é tão fácil assim, claro que existe primeiramente o fator genético, ou você nasce com uma boa bunda ou já era, apesar dos recursos atuais do silicone, bunda tem que ser bunda e ponto.

Depois você tem que passar o resto da vida cuidando dessa bunda, ginástica, cremes, tratamentos, uma bunda bem tratada deixa de ser uma bunda simplesmente e passa a ser A Bunda, com direito de ser usada como ponto de referência, quase uma oitava maravilha bem ao lado do Cristo Redentor.

Mesmo passando a grande maioria do tempo sendo pouco vista, uma bunda bonita faz valer a pena cada segundo gasto com seus cuidados, quando é alvo de elogios.

Ah sim… a bunda pode trazer tristezas, na realidade pode provocar uma grande amargura. Imagine um belo dia quando você acha que tem A Bunda e ao olhar no espelho vê uma celulite microscópica te falando bom dia, ou pior ainda, uma estria quase imperceptível a olho nu, mas que você sabe que está ali.

Eu sei, poucos são os homens que se pegam nesses detalhes, mas não adianta, você sabe que está lá e então começa uma batalha feroz, em cima do seu pior inimigo, eis o motivo das tristezas e amarguras que uma bunda pode causar.

Tenho meus motivos para estar escrevendo esse texto, motivos esses que não vem ao caso agora, mas passei a pensar sobre a magia da bunda e qual o peso da expressão “você está com cara de bunda!”, isso tecnicamente é uma ofensa, mas temos que ver a qual bunda se refere, modéstia a parte se for a minha será um grande elogio, grande na grandiosidade de ser grande mesmo.

Verdade seja dita, graças a minha bunda ouço elogios inusitados, criativos e em sua grande maioria tentadores, “Sua bunda é praticamente uma obra de Niemeyer” “Tua bunda é melhor que um parque de diversões, melhor que a Disney” “É até um pecado não fazer nada com uma bunda dessas”… tentadores e surpreendentes.

É assim, a vida de uma bunda, de uma bunda que deixou de ser só uma bunda, que não é nem de perto a coadjuvante de um corpo e sim a parte principal, na qual o corpo serve apenas de suporte, uma simples moldura, um simples meio de locomoção dessa maravilha.

Sobre a foto acima… nem preciso comentar… PARA E PENSA!

웃 T s u n a m i 웃

friends

Quantos amigos você tem? Desculpe, mas isso não é uma pergunta retórica: feche os olhos de verdade e conte nos dedos: quantos amigos você realmente tem? É engraçado, parece que esse número diminui com a idade. Não estou falando dos colegas de trabalho ou dos companheiros eventuais de balada. A não ser que você seja um ermitão, esses costumam aumentar durante a vida. Mas os amigos verdadeiros, aqueles que querem o seu bem de verdade… esses tendem a diminuir.

Morrissey tem uma música chamada ‘We Hate it When Our Friends Become Successful’ (Nós odiamos quando nossos amigos se tornam bem-sucedidos). Poucos artistas batizam canções tão bem quanto o ex-vocalista do The Smiths, mas nesse caso eu discordaria: odiamos quando gente que conhecemos pouco se dão muito bem. Os amigos de verdade, a gente gosta. E torce.

Afinal, amizade serve para quê? Para quase nada, se você pensar bem. Para os problemas do dia-a-dia, temos a família; para os profissionais, temos os colegas. Os amigos entram onde, então? Naquela zona temporal cinzenta que também parece diminuir a cada dia: o tempo livre.

Tempo livre não é só a seqüência de horas que se passa em volta da mesa no almoço de domingo com os pais. É também o tempo livre de qualquer obrigação, que você pode gastar vendo TV ou falando sobre coisas inúteis. Sério: o que muda na vida de alguém saber quem foi o maior atacante da história do Corinthians? Nada. E, mesmo assim, você é capaz de fazer (quase) qualquer coisa na vida para convencer esse alguém disso. Esse alguém… é um amigo. Ele é o cara com quem você se senta num bar, molha as palavras com cerveja durante quatro horas, e ainda sai de lá pensando no que você se esqueceu de dizer. Isso é amigo. O resto é… conhecido.

Amigo de verdade a gente também reconhece nas situações difíceis, mas não apenas quando nós temos problemas: os problemas dos amigos são os que mais merecem e precisam da nossa amizade. Nem sempre é fácil, às vezes eles acham que está tudo bem. Mas o melhor amigo não é só aquele que ajuda o outro: é aquele que também deixa o outro ajudá-lo.

(Felipe Machado)

Na época em uma base aérea na África, o escritor Saint-Exupéry fez uma coleta com seus amigos, pois um empregado marroquino queria voltar à cidade natal. Conseguiu juntar mil francos.

Um dos pilotos transportou o empregado até Casablanca, e voltou contando o que aconteceu:

- “Assim que chegou, foi jantar no melhor restaurante, distribuiu generosas gorjetas, pagou bebidas para todos, comprou bonecas para as crianças de sua aldeia”.

- “Este homem não tinha o melhor sentido de economia”.

- “Ao contrário” - respondeu Saint-Exupéry. – “Ele sabia que o melhor investimento do mundo são as pessoas. Gastando assim, conseguiu de novo ganhar o respeito de seus conterrâneos, que terminarão por lhe dar emprego. Afinal de contas, só um vencedor pode ser tão generoso”.

(Paulo Coelho)