Baú


Caca

Meninos eu vi… sim a primeira vez que o vi foi na TV… vi e pensei: “quem é esse cara chato, quem ele pensa que é, só fala de regras e normas”.
Mas não tardou muito para descobrir que aquele cara chato, de chato não tinha nada, pessoa divertidíssima, que ele não pensava em ser alguém, ele era, ele era e é ele mesmo, quer gostem ou não, e que regras e normas não fazem parte de sua vida por mais de 8 segundos.
Aos poucos fui descobrindo que como bom taurino, é sonhador, lutador, realizador, idealizador, ciumento, perspicaz, audaz, ingênuo, sagaz, inocente, malicioso, honesto, sincero, galanteador, sedutor, apreciador das boas coisas que a vida pode oferecer, baladeiro de plantão, com pouco juízo na cabeça, talvez até o tenha, mas não o usa com freqüência, enfim um menino que não quer crescer, um homem com a “síndrome de Peter Pan” e usando suas próprias palavras: “um moleque cara”.
Moleque no melhor sentido da palavra, um moleque que não se cansa de fazer travessuras, travessuras essas que se tornam públicas com uma rapidez assustadora e mais assustadora ainda é a dimensão que tomam, tornando-se lendas… lendas urbanas de um caipira cosmopolita.
Um grande homem que não precisa de sobrenome, um homem conhecido apenas por seu apelido de infância e que carrega consigo o nome de sua cidade natal, quatro letrinhas e uma cidade é assim que todos o conhecem: Cacá de Barretos.
Ele é o cara que diz “que no Barretão é onde a banana morde o macaco”, “que no rodeio tem um gol a cada 8 segundos e nunca fica em 0X0”, ele é o cara que diz ter um cachorrinho treinado que sabe dizer se a festa é boa, abanando o rabinho na vertical, ele é quem faz as estórias virarem histórias e tenta explicar a diferença na madrugada a um bêbado que passa e pede um trocado.
Creio que por ser assim moleque alguns se recusam a dar-lhe o devido valor, mas coragem para enfrentá-lo isso ninguém tem, talvez por receio de suas reações e de suas atitudes, todos sabem que o tiro virá, mas nunca se sabe com que potência.
É isso, o Cacá é assim, um menino-homem que quer abraçar o mundo e deixá-lo melhor, que ao menos tenta fazer sua parte, um menino-homem que me ensinou que devemos ter humildade para sermos quem somos, um menino-homem que me mostrou que caráter faz a diferença, mesmo que o preço a ser pago seja caro demais, um menino-homem que me disse um dia que devemos nos cercar apenas de pessoas iguais ou melhores que nós, um menino-homem que cresceu e apareceu… e eu quando crescer quero se igual a ele.

Escrito em 05.05.2005

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amelie - amm

Descobri Amélie! Doce Amélie, tão doce quanto a vida deveria ser.
Sinto-me agora uma Amélie, à procura de algum sentido na vida, sinto que também posso ter “um fabuloso destino”, apenas sinto porque não sei por onde começar, talvez deva arrancar azulejo por azulejo de meu banheiro, procurando uma caixinha velha que pertencera a um menino dos anos 50, talvez meu marco de partida seja outro.
Perdida…perdida como uma criança no parque, perdida como uma criança que observa as nuvens com seus formatos diversos.
Tranco-me em meu mundo, criei meu próprio mundo onde tudo é decidido por mim, onde não acontecem surpresas, onde sou a personagem principal, concordo que são poucos os personagens nesse meu mundo, mas quem se importa? Eu me importo!
Estou presa em meu próprio mundo, eu o criei e agora não consigo sair, criador e criatura travam um duelo interno, tento achar a caixinha que me mostrará a saída, mas não acho, não sei como achá-la.
Olho nos olhos de Amélie e vejo meus próprios olhos, curiosos por saber o que me aguarda, curiosos por descobrir esse fantástico mundo que gira ao redor do meu, olhos vivos, olhos puros, olhos infantis, olhos tristes de uma infância perdida.
Amélie, minha Pollyanna francesa dos anos 90, diferente da inglesinha loira, mas com o mesmo objetivo, ajudar as pessoas, fazê-las feliz, cada uma da sua maneira, cada uma no seu tempo, mas ajudando as pessoas a procurarem a felicidade.
Será esse o segredo da felicidade? Fazer o bem sem olhar a quem? Já estou cheia de ser boazinha, já estou cheia de ajudar sem nunca ter uma mão estendida a me ajudar. Não quero mais ser boa, mas também não quero ser má, quero que me ajudem, quero gratidão, que ser o que sou, mas quero ser o que sou na versão feliz.
Olho ansiosa para o mundo e procuro nele a solução de tudo, procuro a felicidade, procuro o amor, procuro o meu fabuloso destino, tal qual Amélie Poulain.

Escrito em 25.05.2005